The lovers, the dreamers and you

O Kakumei é meu porto seguro no meio do mar revolto da internet desde 2006. Como toda navegante, eu sempre volto pro Kakumei e pro mar de nadas da internet. Seja bem-vinde ♥

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Tenie


Mestra Tenie dos Horrores Muppetísticos. Touro, INFJ, 4w5. Nerd e CDF.
Graduada em MKT e mestre em filosofia, tech em IT. Gosto de gatos e livros (e HQs), de puppets, bonecos e animação no geral, de sorvete e milkshake, coisas fofas e coisas assustadoras, playlists estilo Alpha FM. Sempre amei blogar pelo prazer de fazer um post, escolher os gifs, comentar nos bloguinhos amigos, e ficar de boas nesse semi-anonimato. Atualmente em uma crise existencial por causa do Labubu.


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Clube de leitura #3: A vegetariana (Kang Han)
written by Tenie at quinta-feira, 16 de abril de 2026

Hoje vou fazer uma resenha com spoilers do livro que lemos em Março para o Clube de Leitura Entreblogs, A vegetariana, da Kang Han.

A premissa é simples: Yeonghye decide se tornar vegetariana após certa noite - e essa decisão vai mexer com todas as estruturas de sua vida.
É uma releitura que eu queria fazer desde que, em 2025, eu li Coelho maldito, da Chung Bora, conterrânea de Kang. Eu me lembrava de ter entendido o livro de forma diferente e de sentido coisas diferentes, que me lembraram o livro de Chung, mas agora acho ambos bastante diferentes. Acho que Chung Bora traz alegorias mais diretas, mais incisivas, enquanto que Kang Han tem um estilo que te dá mais voltas, parece mais introspectivo.
Ao mesmo tempo, sinto que A vegetariana é muito mais direto, muito mais enraízado na realidade: vemos a vida de uma mulher espiralar em função do controle obsessivo e abusivo de seu marido, seus pais, e até de seu cunhado.
Em algum nível, eu entendo que a Yeonghye ficou doente não por parar de comer carne, mas por existir em uma sociedade que a suga e a explora, que não respeita seus limites e que quer forçá-la a cada passo. É enlouquecedora a quantidade de abusos que ela sofre e que, eventualmente, descobrimos que ela sofreu na infância na terceira parte, sob a perspectiva de sua irmã mais velha.
As duas primeiras partes poderiam ser chamadas Homem frouxo #1 e Homem frouxo #2.
Abrimos o livro com a narrativa do marido de Yeonghye, que é um chorão e um mané. Ele admite que casou com ela por ser desinteressante e não ter nada de especial, sem falar nos níveis de abuso que ele comete contra ela. Quando ele fala que mulheres bonitas, ricas ou inteligentes intimidam ele, eu QUIS CHORAR DE RIR!
Onde um salaryman bocó feito você ia chegar perto de uma mulher rica? Rica rica? NUNCA! Seu palhaço! Ele não gostava era de mulher que pudesse ganhar mais que ele! Tu se ofende por qualquer mulher, é isso!
Quando Yeonghye joga fora todas as carnes da casa e passa a cozinhar só comidas vegetarianas, ele logo sai correndo pra chorar para os sogros e eles armam uma intervenção, que é quando o pai de Yeonghye dá um tapa na cara dela e força carne na boca da coitada, a ponto de ela cortar os pulsos.
Se isso não é um grito de me deixem em paz, o que é?
Sem falar que o palhaço do marido fica fantasiando com a irmã mais velha da esposa, pensando como ela é mais feminina, mais agradável, melhor esposa, etc.
Depois de ver o parquinho pegar fogo, o marido vira ex-marido e começamos a história da Mancha mongólica, que eu não sabia, mas são manchas esverdeadas com as quais algumas crianças nascem.
Yeonghye tem um mancha mongólica na nádega. E isso vira uma obsessão para seu cunhado, marido de sua irmã mais velha.
E aí o Homem Frouxo #2 começa a cercar o frango da cunhada emocional e mentalmente fragilizada, enquanto a esposa sustenta o vagabundo, cuida de negócio, casa e filho sozinha. Mesmo que ele se sustentasse, grande merda, não dava direito a ele de ficar predando a cunhada.
Os resultados de A mancha mongólica são devastadores.
A meu ver, eles determinam o nível de desolação no qual encontramos as duas irmãs na última parte, com uma Yeonghye só pele e osso, tentando virar uma árvore, e sua irmã sofrendo de sintomas parecidos com os que ela sofria no começo do livro - mas ela não pode se dar ao luxo de surtar, porque tem filho pra criar e vida pra tocar, e até da irmã mais nova ela se tornou a única responsável.
É um capítulo de exaustão, de desesperança. É o único focado em uma mulher e essa mulher, a irmã de Yeonghye, está desmoronando sob a pressão, sente culpa pelo que foi feito à irmã pelo pai, pelo irmão, pelo ex-marido, ela tenta alcançar alguém que já está perdida.
É bizarro como ela se culpa, mas nem um dos homens da história assume os próprios BOs, é triste e revoltante.
É um desbunde de livro sobre o que é ser mulher em uma sociedade que te sobrecarrega, te controla, te despreza e te usa.
A cada releitura, ele fica mais afiado e difícil de engolir.
Uma recomendação para quem é forte de coração.

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You have to walk the long way down
written by Tenie at quarta-feira, 8 de abril de 2026

How to get to Hadestown
You have to take the long way down
Through the underground, under cover of night
Layin' low, stayin' out of sight
Ain't no compass, brother, ain't no map
Just a telephone wire and a railroad track
Keep on walkin' and don't look back
'Til you get to the bottomland

Wait for me - Hadestown

É aquela coisa sobre se perder até se encontrar.
Eu estou procurando um emprego enquanto meus colegas estão todos colocados no mercado. Eu não sei se volto para Marketing ou se insisto em Tecnologia. Eu queria dar aulas com o meu mestrado, mas não acho oportunidades.
Eu queria ser escritora, mas essa nunca se apresentou como uma opção de carreira pra mim. Só como algo que eu poderia fazer quando eu tivesse um "trabalho de verdade".
E agora eu tô desempregada sem um trabalho de verdade, num curso pelo qual eu tenho, no melhor dia, indiferença.
Não é possível que todas as pessoas estejam encaixadas em seus empregos, em suas próprias vidas. Um emprego é um meio para um fim, não é possível que seja tão difícil...
As pessoas vivem alienadas das próprias vidas e estão bem com isso. Por que eu teria que me conectar comigo mesma e com os aspectos da minha vida? Por que não me deixar estar alienada mesmo?
Eu preciso de um emprego. Eu não nasci em berço de ouro pra perseguir sonho.
Meu ex-chefe ficava falando que eu não me achei no emprego. Acho que ele tinha razão, eu odiava aquele lugar e a obrigação que eu sentia em me entrosar com pessoas com quem eu não queria, pessoas que não faziam diferença pra mim.
Eu sinceramente não entendo. Não basta trabalhar bem e dar o meu melhor, não basta não ficar no caminho de ninguém e ser cordial, precisa deixar a empresa ser parte de você? Não quero isso.
Alguns lugares certamente seriam um sonho pra mim e seriam parte de mim, mas qualquer lugar? Não.
E o meu estágio me negligenciou de propósito, me deixando jogada de lado porque sabiam que a área ia sofrer layoff e eu ia junto. Eu não "não me encontrei", eu fui jogada no lixo. Foi consciente.
Ugh. Emprego só é bom enquanto você tem um, enquanto você está procurando um, é tudo um lixo e a vida é imprestável.
Queria que o suicídio fosse uma opção, mas atualmente nem isso.
Que inferno.

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E N T R E B L O G S: Uma semana comigo
written by Tenie at domingo, 22 de março de 2026

Oi, gente!
Estou de volta depois de ter feito este post todinho sobre a semana passada e o Blogger ter PERDIDO ELE!!!!! E depois quase perdi de novo no dia 19 😭 Estou arrasada, gente, arrasada e com preguiça.
Engraçado que eu tenho uma tag chamada "Tenie perdeu o post"... Então não é a primeira vez! ONE FEAR!


Enfim, este é o tema de Março do Entreblogs, do qual eu comecei a fazer parte no fim de Fevereiro - o selinho está aqui do lado, no meu Bem-vindes. 
Visitem o Entreblogs, visitem os blogs, divirtam-se!
E agora, vamos passar uma nova semana com euzinha, moi 😘
Uma coisa que eu preciso comentar sobre o post que eu perdi foi: eu ia escrevendo pequenas entradas conforme o dia acabava e eu percebi que eu comecei a semana passada muito pra baixo e no domingo eu já estava mais positiva, mais calma. Talvez minha medicação esteja fazendo efeito, talvez seja o fato de eu aceitar radicalmente a minha realidade. Foi interessante perceber isso - e essa percepção vocês só vão ter aqui 😝 Sério, tô inconformada que perdi aquele post!

Domingo, 15 de Março de 2026

Fui ver Iron Lung, do Markiplier/com o Markiplier, no cinema com o meu namorado!
Era um lançamento indie que eu queria muito ver, tanto porque acho importante apoiar os indies quanto porque um amigo meu que viu antes achou muito bom. E eu adorei o trailer.
Fui sem saber nada, total no escuro, só sabendo o trailer e a sinopse no site do cinema. E foi muito bacana? Bastante claustrofóbico, muito bem feito, mas achei mais scifi do que terror.
Algumas coisas ficaram perdidas pra mim porque não joguei o jogo/não conhecia o jogo, então não sabia muito da lore, então alguns detalhes que eram óbvios para fãs, não ficaram claros pra mim. Mas faz parte.
Acho que vale a pena se você gosta de uma ficção científica aterrorizante!
Aí meu namorado me deixou em casa porque no dia seguinte eu ia até o outro lado da cidade me desligar do meu estágio, um ano depois de ter começado nele. Eu não estava exatamente triste, talvez mais com raiva, bastante desesperançosa, mas não triste. Talvez aliviada?
Enfim, lavei o cabelo e me preparei para o dia seguinte.

Segunda-feira, 16 de Março de 2026

Eu fui até o meu antigo estágio e nem com o cordãozinho do crachá eu pude ficar.
Meu ex-chefe continuou insistindo que eu preciso saber o que eu quero para "me achar no trabalho", mas o problema do meu estágio foi menos não me achar e mais ter sido colocada de lado numa caixinha de areia com todo mundo praticamente negando me dar atividades, numa área prestes a se autodestruir.
Quando meu ex-chefe me perguntou se eu queria dar tchau pra alguém, eu queria, mas não vi nem a Su nem o Emerson, então eu só quis sair de lá o mais rápido possível. 
Não senti gratidão, mas me disse grata. Mas também não me senti traída. Eu dei azar. Acontece.
Às vezes, a gente só aprende que tem lugares que não podem te ensinar nada.
Cheguei em casa só querendo dormir e eu dormi algumas horas.
Quando fui almoçar, a comida me deu enjoo, não conseguia colocar pra dentro. Tive que deixar.
Não deu uma hora, eu estava botando os bofes pra fora. Vomitei o dia e a noite inteiros!
E, se vocês não sabem, eu tenho medo de vomitar. Eu tenho pânico quando começo a vomitar, eu começo a me desesperar, não consigo. Não sei do que tenho medo, mas eu entro em pânico.
Passei uma segunda-feira terrível por conta disso, só consegui dormir altas horas de terça-feira.
Eu acharia que é da medicação nova, se meu namorado não tivesse vomitado também. Eventualmente eu descobri que nossos amigos também passaram mal - a gente tinha se encontrado no sábado.

Terça-feira, 17 de Março de 2026

Eu não vomitei mais, mas fiquei cabreira o dia todinho. 
Meu deus, meu corpo inteiro ainda dói! Até sem voz eu acordei!
E eis que: minha irmã começa a vomitar e vem do trabalho só o pó da rabiola.
Ficamos o dia todo espalhados, com dor ou vomitando ou os dois, só o fundo do poço.
Tive chance de chegar na metade de A Lista do Ódio (Jennifer Brown) e tenho expectativas de terminar até o final da semana.
Aí fui postar minha semaninha e eis que puft! Sumiu.
O blogger comeu, sei lá.
Foi definitivamente um dia. Sem comentários.
Mas, aproveitando a deixa: meu namorado imprimiu um reading ring pra mim. E é super útil!
Eu já tinha visto venderem por aí, mas achava bobagem, mas é muito bacana e super me ajudou a terminar HEX (Thomas Olde Heuvelt), que eu gostei bastante. Os comentários vocês podem ver no meu vlog.
Tentei tirar fotos boas do reading ring, mas né.

Quarta-feira, 18 de Março de 2026 

Acordei com dor de garganta, dor no ouvido, nariz ruim... MEU DEUS, ME AJUDA!
E agora é a vez da minha mãe e da minha sogra ficarem mal. Acho que deve ser virose, só pode.
É engraçado que algumas coisas estão sem gosto pra mim. Eu fui comer uma manga e ela estava sem gosto, achei estranho. Minha mãe falou que a maçã estava sem gosto.
Ai credo....
Estou retomando BEASTARS, que eu vi dois episódios na segunda, porque saiu a última temporada (?) e eu quero conversar disso com uma amiga. Eu gosto do Legoshi por ele ser bonzinho - e também gosto de ver os meninos do quarto dele interagindo, é fofo.

Quinta-feira, 19 de Março de 2026

Terminei A Lista  do ódio (Jennifer Brown), gostei muito da protagonista e de como a história aborda as questões dela, mas o final foi corrido e não me convenceu. Achei que a história fez um desserviço à Val, ela só se ferrou, sofreu horrores, e depois foi tipo "não, vai ficar tudo bem, todo mundo vai se perdoar".... PRA CIMA DE MOI????? 
No final dessa minha edição, tem um conto relacionado, chamado Diga alguma coisa, e eu achei que ele piorou minha disposição com o final do livro, porque tudo pareceu ainda mais injusto e cruel com a Val, que foi só uma adolescente que estava no lugar errado, na hora errada, sem saber ler os sinais de perigo porque ela é jovem e ingênua. Era um livro que eu queria ficar, mas pelo final, não sei se compensa ocupar o espaço.
Comecei A vegetariana (Han Kang) para o Clube de Leitura do Entreblogs. É uma releitura, eu o li primeiro em 2019 (valeu, Skoob!), eu lembro que levava ele pro trabalho para ler no metrô e, que constam minhas anotações, eu chorei no final do livro no meio do metrô.
Eu acho que não entendi o livro tanto quanto o senti em 2019, agora em 2026 eu sinto que eu o entendo mais.
Ano passado queria muito ler o último romance traduzido da Han Kang porque ela tinha ganhado o Nobel de Literatura de 2024. Ainda quero ler outros livros dela.
A conterrânea dela, Bora Chung, me lembrou muito dela quando li seu Coelho Maldito. Acho que especialmente o conto da cabeça, me marcou muitíssimo.
De resto, fiquei mal o dia todo, com ânsia e mal-estar, não está nada fácil essa virose com gripe... 🤧
Porém, boas notícias vêm aí, eu sinto.

Sexta-feira, 20 de Março de 2026

Hoje passei um pouco de fome e senti bastante cansaço e mal-estar. Acho que é porque a nova dieta não acomoda meu corpo pós uma virose. Então tentei tomar um copo extra de leite, comer uma fruta a mais.
Estou lendo acelerada, mas sinto que me falta algo. 
Sabe toda aquela história de consumir e não produzir? Acho que pode ser o problema, mas não sinto vontade de abrir meu notebook e escrever meu projeto principal.
Não foi um dia de muitas atividades. Fez sol, então lavamos roupa. Também havia muitas louças para guardar.
Comecei a ler Audição, do Murakami Ryu, e fiquei pensando o que os machos moles de A vegetariana iam ver uma coisa se encontrassem com a Asami. Ela ia comer os caras, mano.
Em outro assunto, eu estou devendo visitas a vários blogs! Não foi o mês mais fácil, devo admitir, mas vou me atualizar logo.

Sábado, 21 de Março de 2026

Estava meio saturada de leitura, meio saturada de ficar em casa, mas preocupada de sair e passar virose pra alguém mais ou passar mal na rua, porque ainda sinto um mal-estar grande em alguns momentos.
Peguei a Mika para ficarmos juntinhas, mas ela acabou se estranhando com o Tony e me deu uma mordidona no polegar, saí pingando sangue... O importante foi que depois consegui deixar a Mika no cantinho dos gatos e o Tony longe dela e ficou tudo certo. Matei um pouco de saudades da Mika inclusive, ela já está pra fazer 10 anos, ela é minha queridinha.

Mais pra noite, o André me chamou pra gente sair e comer algo. Decidi que ia enfrentar a possibilidade de ter um mal-estar pra ficar um pouco com ele sim. Foi muito bom, eu sentia falta dele e sentia falta de estar fora de casa.
Foi basicamente o meu dia inteiro. Dormi muito feliz, mas meu dedo amanheceu prejudicado.

Domingo, 22 de Março de 2026

Último dia comigo.
Hoje foi ainda menos cheio de eventos que ontem: Dormi bastante, fiz minhas refeições, tomei os remédios, pintei as unhas de um nude rosado - que é meu tipo favorito de nude - e passei mais tempo com a Mika, que está aqui agora enquanto digito isto.
Estou enrolando pra terminar A vegetariana porque não estou muito empolgada com as leituras que eu tenho aqui comigo.
EM UMA VIRADA DOS EVENTOS: O post que eu perdi apareceu.
Vou postar os dois porque os dois deram trabalho, mas algumas coisas eles são similares.

Agora eu vou ficando por aqui, depois de DUAS SEMANAS COMIGO, e vocês se cuidem bem.
Vejamos o que a semana traz. 


 

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