

O Kakumei é meu porto seguro no meio do mar revolto da internet desde 2006. Como toda navegante, eu sempre volto pro Kakumei e pro mar de nadas da internet. Seja bem-vinde ♥



Primeiro post do BEWA e ele vem diretamente do túnel do tempo: este post é de 2024 e não estava nem metade pronto quando eu peguei. Mas para realizar o desafio do do Entreblogs, escolhi publicar um rascunho esquecido.
O post é gigante, eu tageio a Beca, mas deixo o convite aberto pra quem mais quiser fazer.
Meme/Tag: A Música Que...
1. A música que me faz rir: A little priest (Sweeney Todd - Stephen Sondheim)/Eu sou free (Sempre livre)
Essa música tem um nível tão imoral de assassinato, canibalismo e patifaria, eu amo. Amo a sequência de trocadilhos e aliterações e a ideia de que esses dois malucos estão matando homens e colocando nas tortinhas... Eu amo Sweeney Todd porque é essa aventura macabra de violência e horror com uma música incrível e esse momento é quando você vê que os dois protagonistas estão se divertindo e comendo o cenário com farinha e eu AMO isso. Amo como a versão original tem a Angela Lansbury no ápice da patifaria, e como a versão 2023/2024 com a Annaleigh Ashford tem um level a mais de patifaria mas me faz pensar super na versão original. Ela é definitivamente minha segunda Mrs. Lovett em inglês, terceira em qualquer língua (a segunda é a Andressa Mazzei). E, claro, atualmente o Josh Groban é provavelmente meu segundo Todd de todos os tempos, o primeiro é o Diego Luri. Sim, acho a montagem brasileira de uma qualidade sem tamanho.
Já a nacional, EU AMO SAIR CANTANDO EU SÔ FRI SEMPRE FRI EU SÔ FRI DEMAIS hahahaah É muito boa. Sim, eu amo um jogo de palavras.
2. A música que me motiva: Final Girl (CHVRCHES) e Rainbow Connection (Jim Henson)/D de destino (Almir Sater)
CHVRCHES sempre mexe comigo, Final Girl me lembra que essa insegurança de não ser adequada para chegar ao fim da história, a minha própria história, não é só minha. E como a Lauren conseguiu seguir com a história dela, eu também consigo.
Rainbow Connection é sobre pertencimento. Todo mundo quer o pote no fim do arco-íris, mas talvez seja mais importante aquilo que você encontra no meio do caminho até lá, the lovers, the dreamers and yourself. Sim, o sapo Caco é meu animal do poder, ele me representa, ele me compreende.
D de destino é quase o que diz no título: o que está nas linhas da nossa mão ou nas nuvens sobre as nossas cabeças pode significar bonança ou desgraça, mas o importante é que a gente siga em frente, porque as nuvens sempre passam e o destino muda.
3. A música que me lembra alguém que eu amo: Sunshine on my shoulders (John Denver)
Minha mãe consegue cantar essa música direitinho mesmo tendo ouvido ela há mais de 40 anos em um filme triste sobre uma moça que morria de uma doença desconhecida na época (provavelmente tratável atualmente).
Curiosidade: é do mesmo cantor de Country roads take me home, que eu também gosto.
4. A música que eu gostaria de ter escrito: 30/90 (tick tick BOOM! - Jonathan Larson) e Road to Hell (Hadestown - Anaïs Mitchell)/D de destino (Almir Sater)
Esses são dois musicais que eu gostaria de ter escrito e são dois musicais muito diferentes: um sobre como é fazer 30 anos sendo um artista nos anos 90, outro sobre amor, perda e revolução baseado na mitologia grega, num cenário Prohibition Era americana.
Talvez porque ambos sejam epítomes de suas épocas: Larson muito em sincronia com a cena musical dos anos 90 e começo dos anos 2000, com os musicais minimalistas e centrados na realidade das pessoas, enquanto que Mitchell traz os musicais e peças clássicos (Les Mis, uma vibe muito Sondheim que lembra MUITO a construção de cenário de Sweeney Todd e também lembra muito o minimalismo de O despertar da primavera) usando alegoria para falar de um mundo destruído por deuses gananciosos e como isso destrói e corrói as vidas dos mortais que sustentam tudo isso. Eles são muito parecidos nisso, em sumarizar suas épocas.
Larson é extremamente divertido e vulnerável quando fala sobre como se sente ao fazer 30 anos e estar sem perspectiva, seu sonho sem realização, sua vida aos frangalhos.
Hermes e Persephone cantam sobre os horrores de Hadestown enquanto Euridice sonha em ir até lá, onde "todos têm tudo", sem ouvir aos avisos. E toda a improvisação estilo jazz clássico entre André De Shields e Amber Gray é muito magnética, de dar arrepios.
Queria ter escrito esses musicais, mas essas são as minhas favoritas deles. No momento. Fiquei em dúvida entre elas e Come to your senses (tick, tick, BOOM!) e Epic III (Hadestown).
Ainda nesse tópico, acho que gostaria de ter escrito Before the eyes of storytelling girls, também da Anaïs Mitchell.
No geral, queria bater na porta do Almir Sater e pedir pra ser aprendiz dele. Aprender a tocar viola caipira e escrever letras lindas sobre a vida e o que ela leva e traz pra nós. Queria só isso da vida, vocês nunca mais iam ouvir falar de mim.
5. A música que me lembra a infância: Cabecinha no ombro (versão Almir Sater)
Não pensei em nenhuma em inglês, mas deve ter. Mas essa é especial.
Meu avô tinha três fitas cassetes de O rei do gado e a gente sentava no carro dele, que tinha toca-fitas, e ficava ouvindo e conversando. É uma das minhas memórias mais antigas de um ritual que eu ativamente mantinha.
Eu não gostava de ouvir Cabecinha no ombro porque me deixava triste, porque as pessoas vão embora, por mais que elas tenham chorado no seu ombro e vice-versa. Não existe outra "definitividade" na vida do que a partida.
E toda vez que eu escuto, eu penso no meu vô, que ainda vive comigo, e na minha avó, que não está mais aqui (e no post retrasado eu comentei que sentia muita falta dela ainda). Eu não choro mais quando eu ouço, mas ainda mexe com o meu coração.
6. A música da qual eu gosto da letra: Darkness (Leonard Cohen)/Terra de Gigantes (Engenheiros do Hawaii)
Darkness é a perfeita contraposição a Hallelujah. Eu sinto que o jovem Cohen estava muito ligado à espiritualidade, uma positividade melancólica, uma esperança, mas o velho Cohen em Darkness fala sobre como a gente se corrompe com os anos, que há uma escuridão no fim do caminho - ou no meio dele, talvez - e que ela é inevitável. Ela não é algo que se contrai, ela está em você. Adoro que essa letra parece uma profecia e uma promessa.
Terra de gigantes é melancólica. É sobre você crescer e não saber pra quê. Pra que eu sirvo? Por que eu tô aqui ainda? Mãe, eu tenho uma caneta guitarra elétrica e ela não mudou o mundo como eu pensei... E agora? O mundo parece tão grande e eu, tão pequena.
7. A música com a qual eu gosto de acordar: NENHUMA
Acordar com música? Deus me dibre! Não, não. Mornings are for silence and contemplation.
8. A música que me lembra minha adolescência: I write sins, not tragedies (Panic!at the disco)/Natasha (Capital inicial)
Panic foi minha banda favorita bastante tempo, eu não tinha comprometimento em ficar ouvindo álbuns de outras bandas. Gostei até o final, quando sobrou só o Brendon e ficou mais pop. Acho que não desgostei de nenhum álbum em específico. I write sins estava bombando quando eu era adolescente, eu vi muuuuito o clipe, e eu ouvi muito a música. Capital Inicial não estava bombando tanto, mas eu gostava muito da música sobre fugir de casa e morrer de overdose eventualmente - muito Noel Grubber feelings (do musical Ride the Cyclone), só que eu queria ser uma puta dos anos 2000 e ele, dos anos 1940. Ser adolescente queer é foda, mano, é muito puxado isso de querer ser uma puta e morrer dramaticamente porque ser adolescente e queer é ruim e chato (eu fiz as contas, Ride the Cyclone acontece mais ou menos em 2015. Eu fui adolescente até 2012/2013. EU ENTENDO, NOEL!!!!!!!!!!)
As coisas melhoram, eu prometo.
9. A música que me lembra minha melhor amiga: Manatsu no yoru no yume (Shikao Suga)
Não quero me aprofundar aqui, porque eu sinto que não tenho mais uma melhor amiga agora. Mas eu tive uma melhor amiga e essa música nos juntou de vez, e eu pensei "não quero falar disso, ela não merece que eu fale dela", mas não existe outra música. É essa. Sempre vai ser. A gente não escolhe o que quer o coração.
10. A música que me faz chorar: Yellow (Coldplay), Medicine (DAUGHTER) e Dancing in the sky (ZITA)/ Nuvem (Carolina Deslandes)
Yellow e Medicine tocam em lugar que eu não sei dizer.
Bom, Medicine eu sei:
You've got a warm heart
You've got a beautiful brain
But it's desintegrating
From all the medicine
Quando eu estive muito doente, eu sentia que isso era sobre mim, que sem todos aqueles remédios, eu nunca ia viver. Eu ainda preciso de muitos remédios, mas eu acho que eu consigo viver. Eu não me sinto desintegrando mais. Não muito.
Dancing in the sky é sobre alguém que partiu e agora o céu está feliz, mas você não. E Nuvem é especificamente sobre a partida de um avô. São músicas que me lembram da minha avó e não param de tocar meu coração.
Yellow foi a música que eu chorei quando ouvi ao vivo no show de 2023/2024 do Coldplay. Acho que tem algo de sobre como o mundo pode querer te abraçar, é só você deixar.
11. A música que eu adoro cantar: Such Great Heights (CHVRCHES cover)/Idiota (Jão)
São as músicas que eu estou adorando agora. Elas são de uma história que eu tenho sobre cupidos e sua vida burocrática - o amor é uma coisa burocrática. Such great heights costumava me fazer chorar toda vez, mas acho que aquilo que doía quando eu ouvia deve ter cicatrizado.
Idiota é simplesmente um amorzinho de música, é a minha favorita do Jão pra estar paz e amor.
12. A música que marcou um momento da minha vida: Before the eyes of storytelling girls (Anaïs Mitchell)/Tudo que é sagrado e Canção de um verão (Despertar da Primavera Brasil 2010)
Eu estava saindo do armário pra valer, tinha arrumado meu primeiro emprego depois de me formar, eu encarava uma pressão gigante da minha família para voltar pro armário, largar a terapia, ficar quieta, parar de escrever sobre ser bissexual, parar de querer ir em encontros, parar. Havia uma pressão gigante para que eu parasse. Essa música me lembrava que histórias, dos outros e as que eu escrevia especialmente, salvaram minha vida desde o começo. Eu encontrei refúgio na leitura, na escrita e nas histórias desde sempre, e essa música trazia isso pra mim em 2018, quando tudo era demais.
Antes disso, eu tinha 16 anos e vi meu primeiro musical, Despertar da primavera, e eu tenho muito carinho por ele justamente porque eu vi o musical na idade certa para estar em consonância com ele. Tudo o que é sagrado fala sobre como não existe espaço para questionar nada, não existe espaço para o eu onde tudo já foi determinado bom e mau, sagrado ou profano tipo na minha casa. Canção de um verão é sobre como a gente precisa crescer apesar de tudo o que aconteceu antes com a gente - essa eu acho que entendo melhor agora do que antes.
Acho que no fim, tudo se liga com um momento em que eu estava me aceitando e me entendo - especialmente enquanto à minha orientação afetiva e sexual. Como minha família sempre foi bastante opressiva quanto ao que era aceitável e não, foi difícil cada uma das vezes. E vai ser de novo e de novo.
13. A música que você dançaria agora: Fake Out (Fall Out Boy)
Nunca me imagino não dançando Fall Out Boy, essa em especial. Eu ouço e já mexe em todas as minhas cordinhas, eu quero dançar.
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